O 3º Congresso do PT aprovou a resolução “O PT e a Juventude”, apontada por muitos como uma nova fase para a construção da Juventude do PT. Porém, essa nova fase está colocada em questão por um grande abismo na última linha da resolução, que impede que de fato os jovens se expressem abertamente sobre a sua realidade.
“Cabe ao Diretório Nacional do PT referendar as deliberações do 1º Congresso da JPT.”
Nos fatos o Diretório Nacional ainda poderá legislar sobre a Juventude do PT, ainda decidirá qual é a realidade dos jovens que devemos enxergar, baseado em uma decisão do 3º Congresso do PT, escrevendo no rodapé da resolução o que ela realmente significa.
Mas como poderia o Diretório Nacional impedir que a juventude dê os seus próprios passos?
Afinal qual é a realidade da juventude?
A situação dos jovens, de norte a sul do Brasil, nas periferias é a violência desmedida por parte da polícia de um lado, e os traficantes de outro. Só em 2006 foram 1063 pessoas mortas por policiais só no estado do Rio de Janeiro (Centro de Estudos de Segurança da Cidadania da Universidade Cândido Mendes), enquanto em todo o território dos EUA foram 341 vítimas.
Os estudantes competem para uma vaga na universidade, mas se por um lado as instituições públicas garantem vagas para quase ninguém – no Estado de São Paulo apenas 3% dos que conseguem concluir o ensino médio conseguem se matricular em uma universidade pública (Revista UNESP) - as privadas tem mensalidades que não param de subir e a qualidade que não para de decair, além de a qualquer momento, por atraso na mensalidade, o aluno pode ser impedido de assistir aula. Nas universidades públicas a ausência da Assistência Estudantil continua a empurrar diversos jovens que não conseguem se manter para fora da universidade. Em 2006 foram 19.177 estudantes a menos que se formaram do que em 2004 nas universidades públicas (Folha de São Paulo) – número que representa quase o dobro de vagas oferecidas pela USP em 2008. Por isso mesmo no 50º Congresso da UNE foi aprovada uma campanha por 200 milhões para a assistência estudantil, que é a garantia de permanência dos estudantes nas universidades, e assim jovens de diversos Estados se dirigem ao companheiro Lula, para que tenham a oportunidade de se formar, com moradia estudantil, bolsa alimentação, a garantia do tripé ensino, pesquisa e extensão.
Às mulheres lhes é negado o direito de determinar sobre o seu próprio corpo, criminalizam o aborto e deixam as mulheres à margem para as clínicas clandestinas, anualmente ocorre a entrada de 1, 4 milhão de mulheres por aborto (OMS), a maior parte jovens - “o abortamento é a quarta causa de óbito materno no País” (DATASUS).
E para reverter tudo isso o que faz a juventude?
Em 2006, 58 milhões de pessoas elegeram Lula, entre eles muitos jovens, que queriam ver suas necessidades atendidas nesse segundo mandato do Governo Lula. Votaram claramente no questionamento das privatizações e da destruição da soberania nacional.
Não faltam exemplos de manifestações da juventude lutando por um futuro digno, em 2007 foram inúmeras contra o aumento da passagem, por uma educação pública, gratuita e de qualidade, por uma Universidade de qualidade, contra os Decretos do Serra (SP), contra o aumento das mensalidades, contra a privatização da escola pública, por mais verbas pra educação, contra as guerras do imperialismo.
A JPT deve ter autonomia para participar, elaborar e lutar junto com os jovens que buscam uma saída. Por que ela não pode ser autônoma?
A juventude petista deve ter autonomia para falar pela Anulação do Leilão da Vale do Rio Doce, e para cobrar de Lula o seu mandato anulando o leilão.
Nós jovens queremos pensar com a nossa própria cabeça e não sofrer os mesmos vícios que as estruturas do PT. Queremos ter os nossos próprios hábitos, de fato queremos nossa própria organização.
Uma juventude autônoma de fato precisa ter seus próprios instrumentos, deve começar a construir instrumentos próprios de sustentação financeira, a exemplo do que sugerem já alguns jovens do PT. É um primeiro passo para garantir de fato essa autonomia.
A Juventude Petista, se assim quer se chamar, não pode estar descolada das lutas que os jovens travam no dia-a-dia, e se restringir a discutir os critérios e regras do congresso que está por vir.
Afinal a juventude não quer calar! Seja na Universidade, na Escola, na cidade ou no campo, os jovens se deparam com os ataques promovidos pelo capitalismo. E por isso a Juventude Petista precisa se colocar na linha de frente contra o imperialismo, disputando o futuro da sociedade e construindo um mundo socialista!
Para isso queremos construir uma organização que visa um futuro real para a juventude onde não cabe ao “Diretório Nacional do PT referendar ou não as deliberações do 1º Congresso da Juventude do PT”. Queremos ter autonomia para pensar, aprender com os nossos próprios erros e acertar. Para nós o necessário é a construção de juventude ampla e autônoma dando a todos o espaço para necessário para expressar todas as nossas aspirações, sem que nos digam o que é certo e o que é errado, o que pode e o que não pode ser dito. Somos petistas, sim, e nosso compromisso deve ser com a luta da juventude queremos construir a Juventude Petista, autônoma e que de fato sirva como instrumento de luta a todos os jovens.
sexta-feira, 28 de março de 2008
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